Barreira do idioma? Visitando a China

Os países orientais são destinos possíveis para celíacos? Há quem responda rápida e categoricamente que não, que é melhor não ousar tanto. Entendo a cautela, mas acredito que, depois de criada a internet e instituído o saudável hábito do compartilhamento de dicas e experiências, todo destino se tornou possível, até mesmo aqueles em que há a barreira do idioma. As palavras-chave, neste caso, são pesquisa e planejamento. Foi assim que, em 2016, a convite de um primo, comecei a planejar a minha ida à China. Foram 10 dias em Pequim. Foi uma viagem inesquecível em que pude realizar meu sonho de criança de conhecer a muralha da China. Foi a leitura de um livro na aula de geografia que me despertou a curiosidade por conhecer o outro lado do mundo. Antes de contar algumas histórias curiosas sobre a minha experiência alimentar durante essa viagem, tenho algumas dicas iniciais para compartilhar. Vamos a elas:

·       Tente focar seu roteiro nas grandes cidades. Pelo menos como base. Porque as cidades maiores, como Pequim e Xangai, são mais estruturadas, têm supermercados com maior diversidade de produtos, hotéis e restaurantes acostumados a receber gente do mundo todo, inclusive com suas alergias e restrições; Mas cuidado pois poucos falam inglês e quando falam a pronuncia é muito difícil de compreender.

·       Escolha um hotel que conte com cozinha no quarto.  E leve na mala alguns ingredientes básicos para se virar até se adaptar ou para garantir ao menos uma refeição diária totalmente segura e que te dê energia;

·       Converse na recepção do seu hotel e mapeie, já no primeiro dia, os locais próximos onde possa comprar frutas e verduras facilmente. Com uma cozinha e duas panelas, dá para se garantir com arroz, ovo e batata, caso fique com medo de arriscar nas carnes mais exóticas e de testar restaurantes. E frutas. Frutas sempre! Eu mesma me surpreendi com a variedade de frutas, nas diversas opções de lojinhas de bairro. Levava bananas na mochila durante todos os passeios, pois alguns pontos turísticos são afastados do centro e são poucas opções de locais para compra de “lanches” no trajeto.

·       Encontrar produtos GF no mercado é algo complicado na China. Porque, além da barreira da língua, o país não tem uma lei como a nossa que exige que o rótulo alerte sobre a presença do glúten em cada alimento. Também não há aquela organização com a qual já nos acostumamos por aqui, de que os supermercados costumam agrupar esses produtos em uma mesma seção.   

·       Não viaje sem o “Chinese Gluten Free Card”, um cartão que você apresentará em todos os restaurantes que for e que trará, no idioma local, as informações sobre TUDO o que você não pode comer e por qual motivo. Há uma série de exemplos na Internet que você pode pegar como base para preparar o seu próprio — e aí, claro, você precisará da ajuda de amigos que falem o idioma ou contratar profissionais como professores e tradutores para preparar o material como você deseja. Há alguns muito didáticos, que detalham todos os ingredientes e temperos que não podem ser ingeridos, o que irá acontecer com a sua saúde se você comer esses alimentos “proibidos” e apresentando exemplos do que você poderia comer (neste caso, pesquise sobre a gastronomia local para incluir opções factíveis). Em alguns deles, há também uma frase final explicando que a sinceridade é a melhor opção nestas horas e que, portanto, não há problema algum se te avisarem que não há nenhuma opção adequada para você naquela local. O cartão, claro, não é uma garantia, mas uma tentativa de comunicação;

·       Falando em restaurantes, não custa nada fazer uma pesquisa prévia sobre restaurantes que foram bem recomendados por celíacos. Já é um primeiro filtro! 

Uma outra boa opção é comida japonesa, ou seja, os peixes crus com arroz (não tem glúten), mas não “confie” no shoyu. Muitos deles têm glúten. Então, se for para temperar, leve sachês de shoyu GF na bolsa. Se a comida já vier com shoyu, questione!

É possível comer sem glúten em qualquer idioma. Acredite!!! 

Célia

07/08/2019

*Estamos compartilhando nossas experiências mas não somos médicas ou nutricionistas. Consulte um especialista para uma orientação profissional.

Deixe uma resposta